Por que precisamos entender a revolução digital na Espanha
Sabemos que o Twitter tem feito a notícia chegar de lugares nunca antes navegados, que o Oriente Médio jogou na cara do mundo sua opressão -que pensávamos ser consentida. Inegável o papel das mídias sociais. Mas, quanto aos recentes eventos na Espanha (#spanishrevolution), vale um olhar mais apurado sobre o alcance, a organização e os resultados do ciberativismo hispânico:
- Os espanhois deflagraram uma onda de protestos, organizado na web, contra o sistema econômico vigente e maior representação política. Não é restrito à juventude. A abstenção nas últimas eleições chegou a 33%, com forte participação do movimento “No Les Votes”;
- O ciberativismo é gigantesco. Há manifestos de todo o tipo. “Hemos puesto el dinero por encima del Ser Humano y tenemos que ponerlo a nuestro servicio. Somos personas, no productos del mercado. No soy sólo lo que compro, por qué lo compro y a quién se lo compro”. (leia o manifesto);
- A plataforma Actuable.es (visitem esse site, tem propostas, petições, ideia para alguém por aqui) incentivou o envio de mais 150.000 e-mails para o Alfredo Pérez Rubalcaba, ministro do Interior e evitou a repressão policial na Puerta de Sol de Madrid, manifestação que tinha sido proibida sob uma alegação “X” de que levantar a bandeira da abstenção de voto seria “contra o direito do cidadão”, (hein?)
- O movimento Madrid Toma Los Bairros, organizado na web, está levando o debate para a periferia da Espanha.
Acorda meu povo
Alguns exemplos. É um movimento com respaldo na crise econômica? Talvez. Mas com um alcance inacreditável. E dá um tapa na nossa cara. Esse nosso Brasil, o terceiro maior usuário de redes sociais.
Primeira porrada: Infraestrutura. 92% da população na Espanha tem acesso à internet e 19,5% da população usa banda larga no celular - a média europeia é de 6,9%.
Segunda: Ativismo. Precisamos ir além da marcha da maconha.
@12 months ago